Cidade da Grande SP, Pirapora completa um ano sem prefeito eleito

Por Blog

Enquanto começam as discussões por conta das eleições de 2018, uma cidade da Grande São Paulo ainda não sabe quem será o prefeito que deve governar nos próximos três anos.

Em Pirapora do Bom Jesus, município com 18 mil habitantes, o vencedor da eleição para a prefeitura com 50% dos votos, Raul Bueno (PTB), não pode assumir e ainda aguarda a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com isso, a cidade da zona oeste de São Paulo fica em estágio de espera com a chance de ter uma nova eleição ou com a posse do político, que já foi prefeito três vezes.

Raul teve o registro barrado, após a eleição, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), por conta de um convênio reprovado pelo Tribunal de Contas (TCE), nos mandatos anteriores. Ele recorreu e seu recurso não foi julgado durante todo o ano. Em outubro, o processo entrou na pauta, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vistas.

Sem prefeito, a cidade teve a posse do presidente da Câmara, Dany Floresti (PSD) como gestor interino, enquanto o clima de rivalidade eleitoral segue na cidade. Dany é aliado do ex-prefeito Gregório Maglio (PMDB), que foi superado por Raul.

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“A situação é horrível, porque tudo parou na cidade”, afirma o educador e pesquisador João Mário Machado, 32. Ele coordenou a Casa do Samba nos últimos anos, mas conta que as ações do espaço cultural foram paralisadas.

Segundo ele, um dos impasses é justamente cobrar a melhora dos serviços em Pirapora, tendo em vista que o atual prefeito não foi eleito e deve sair quando ocorrer a definição. Porém, o prazo para isso acontecer é incerto. “Na cidade rolam boatos que a gente não sabe se é verdade ou não”, conta.

Machado diz não ter tido atuação partidária, mas considera que a maioria gostaria que Raul assumisse. Contudo, nos últimos meses, o que ambos os lados querem é uma definição. “Está demorando tanto que a galera está pensando em ter alguma coisa independente do que for, para Pirapora poder caminhar”.

A situação é incomoda em um município pequeno em que faltam serviços básicos. “Está pior, a gente sempre espera que melhore, mas não sai”, diz a empregada doméstica Judite Brás, 50. 

Ela cita a falta de empresas na cidade, o que dificulta o acesso aos empregos, além do transporte. Com vocação para o turismo religioso, Pirapora não tem linhas municipais de ônibus e o transporte é feito apenas pelas linhas intermunicipais. “Para o centro até tem bastante ônibus, mas para o Payol, que é mais populoso, é um só e demorado. Tem que ter mais conduções”.

PREFEITO INTERINO

Reeleito vereador, Dany assumiu a prefeitura após ter sido eleito, pelos vereadores, presidente da Câmara em janeiro. O gestor admite que a situação é incomoda, mas nega que a cidade tenha ficado paralisada, citando como exemplo a festa do padroeiro e o carnaval que foram mantidos e obras de unidades de saúde em andamento.

“Essa situação política tem nos prejudicado muito, aquele clima que é vivido durante o pleito eleitoral não acabou e as ofensas continuam”, afirmou.

Entre os impasses, segundo ele, está o fato de que a busca por recursos não é levada tanto em conta pelo governo federal e estadual, justamente por conta da indefinição de quem governará a cidade nos próximos anos.

Turismo religioso é uma das marcas da cidade (Foto: Paulo Talarico/Folhapress)

São estimados para o próximo ano R$ 52 milhões no orçamento. “Um orçamento baixo para atender todas as demandas da cidade e ainda atender  os milhares de romeiros que recebemos todos os anos. Mas com muita criatividade e empenho estamos mantendo todos os serviços em dia”.

Questionado sobre a afirmação de que o ex-prefeito, Gregório, é quem ainda governa, ele elogiou o ex-mandatário e disse que as portas estão abertas a todos que tenham boas ideias.

Do lado de Raul Bueno, o ex-gestor alega que tinha condições de entrar na disputa e critica os recursos contra sua postulação. 

“Vencemos as eleições por maioria expressiva de votos, em todos os bairros da cidade. Nossa candidatura havia sido registrada pela Justiça, com deferimento. Nossos opositores, não aceitando o resultado, impetraram recurso contra, que foi julgado um mês e meio após as eleições pelo TRE”, divulgou em sua rede social, perto da data do julgamento no TSE, que não ocorreu.

“Confio e respeito a Justiça. Seja qual for o resultado, a luta por uma cidade mais justa e desenvolvida irá continuar”.

Procurado, o TSE informou que “já foi solicitada a inclusão do referido processo de Pirapora de Bom Jesus na pauta de julgamentos do TSE. Dessa forma, o processo deve ser julgado nas próximas sessões”.

A corte diz não ter informações sobre quantas cidades estão com o impasse, mas que se trata da “minoria” dos processos relacionados a eleição de 2016.

Paulo Talarico é correspondente de Osasco
paulotalarico.mural@gmail.com