Bloco de marchinhas atrai adultos e crianças na Freguesia do Ó

Tayla Pinotti

Nada de funk, sertanejo ou qualquer outra canção do momento: no Urubó, bloco tradicional da zona norte de São Paulo, os foliões se divertem ao som de marchinhas carnavalescas e de músicas dos anos 70, 80 e 90.

Com a proposta de resgatar a cultura do carnaval de rua, o Urubó surgiu em 2010, quando, insatisfeito com os bloquinhos da Vila Madalena, um grupo de amigos resolveu criar a própria folia no bairro onde moravam.

Hoje, oito anos depois, o bloco Urubó já conta com 127 colaboradores e atrai milhares de foliões, inclusive de outras regiões e cidades de São Paulo, como no caso do empresário Renato de Carvalho Neves, que mora no Butantã e já esteve em dois desfiles do bloco.

“No Urubó as pessoas vão pra curtir a festa mesmo, não tem tanta gente querendo avacalhar e, por isso, eu me sinto mais seguro para aproveitar o carnaval de rua com os meus amigos”, conta.

Rodrigo Carvalho, um dos organizadores do bloco, acredita que um dos principais atrativos do Urubó é o clima intimista e familiar. “O nosso carnaval de rua permite maior interação entre os foliões e proporciona uma sensação de pertencimento. Além disso, somos um bloco que valoriza e respeita muito as famílias”.

Prova disso é que o Urubózinho, bloquinho criado a partir da necessidade de oferecer diversão aos filhos dos colaboradores, e que teve um crescimento significativo e já é referência de opção de lazer para os pequenos durante o carnaval.

E não são só as crianças que têm vez nessa folia. A “uruvÓ”, uma senhora de 80 anos marca presença em todos os ensaios e desfiles do bloco. Ela se tornou o símbolo da essência familiar do Urubó e é quase uma celebridade no meio dos jovens.

Outro diferencial marcante do bloco são os “abadÓs” (abadás do Urubó). “As pessoas procuram o Abadó logo no início, fazem questão de comprar para presentear parentes, amigos. Literalmente, o nosso folião veste a nossa camisa”, relata o organizador.

Apesar do sucesso do Urubó, a Associação de Amigos do Largo da Matriz da Freguesia do Ó alega que o bloquinho contribui para o aumento de “baderneiros” nas ruas do entorno da praça aos finais de semana. Os organizadores, por outro lado, afirmam que os casos mencionados não são de foliões do Bloco Urubó.

“Existe uma problemática antiga no Largo da Matriz, que sempre serviu de ponto de encontro para a galera da região. O movimento na praça aumenta no verão, que coincide com o período de realização dos nossos ensaios e desfiles”.

A equipe do Urubó organiza campanhas de conscientização nas redes sociais e, durante os ensaios e desfiles, distribui sacos de lixo em todo entorno da praça, pedindo para que os participantes recolham seus consumos.

O Bloco Urubó atrai milhares pro Largo da Matriz. Créditos: Renato Nascimento/Divulgação

Em 2017, o Urubó atraiu mais de 20 mil pessoas para as ruas da Freguesia do Ó. A expectativa é que o número seja ainda maior neste ano. Os desfiles acontecem nos dias 10 (sábado) e 11 (domingo), a partir das 10h30, no Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, nº 215.

Para o carnaval 2018, o bloco preparou uma homenagem ao cantor Gilberto Gil, que compôs em 1983 a canção “Punk da Periferia”, imortalizando a Freguesia do Ó no cenário musical nacional.

Tayla Pinotti, correspondente da Freguesia do Ó
taylapinotti.mural@gmail.com

 

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