Obra de Centro Educacional de Poá completa dois anos de atraso

Agência Mural

Lucas Landin

Os moradores do Jardim América, em Poá, na Grande São Paulo, tem convivido com o esqueleto de uma obra inacabada. Trata-se de onde seria a unidade Santa Luzia do Centro Educacional Poaense (CEP), uma escola modelo que deveria estar pronta desde 2016, mas ainda não foi entregue.

Idealizada na gestão do ex-prefeito Francisco Pereira de Souza, o Testinha (SD), cassado em 2014, o projeto prevê mais de 12 mil metros de área construída, com ginásio poliesportivo, campo de futebol, biblioteca, salas multiusos, um auditório e laboratórios de informática, idiomas, física, química, biologia e geografia. Ainda haveria um um mirante, com vista privilegiada da cidade.

 “Estávamos na expectativa de uma boa escola para nossos filhos. Quando minha filha precisou entrar na escola, tive que a matricular em outra, que não me agrada”, lamenta a dona de casa Raquel Cardoso, moradora do bairro.

Quando prometido, a gestão afirmou se tratar de um modelo inspirado nos CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), bandeira do ex-presidente do PDT, Leonel Brizola, partido do qual fazia parte o ex-prefeito. A expectativa de quem vive no entorno era de se aproximar do CEU (Centro Educacional Unificado), da capital.

Porém, a única coisa que existe no terreno é um esqueleto de prédio. Não há tapumes, trabalhadores, maquinários e tampouco vigilância. O mato alto e a utilização do local como ponto de consumo de drogas preocupam os moradores.

“Aquilo ali está jogado às traças. Tem um ponto de ônibus em frente ao local e dá até medo de esperar ônibus lá às 4h da manhã, devido ao perigo”, desabafa a estudante Paula Nunes, vizinha do espaço.

Em maio de 2017, o prefeito Gian Lopes (PR) visitou a obra junto aos secretários municipais de educação e obras e afirmou que os trabalhos seriam reiniciados.

“A construtora responsável trouxe os seus técnicos e apontamos nossas necessidades. Agora ela vai fazer as readequações necessárias no projeto para que possamos tocar essa obra do Complexo Educacional”, disse o prefeito na época.

Porém, os moradores argumentam que não houve nenhuma movimentação no terreno até hoje.

A operadora de caixa Reginane Blajanik, que teve sua casa desapropriada para a obra, lamenta que ela não tenha se concretizado. “Eu morava nesse terreno, fui desapropriada para essa construção e até hoje ainda não saiu do chão”, reclama.

Procurada, a Prefeitura de Poá não se pronunciou sobre a situação da obra ou prazos de conclusão.

Lucas Ladin é correspondente de Itaquaquecetuba
lucaslandin.mural@gmail.com

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