Cortes no transporte universitário afetam alunos de Embu-Guaçu

Rubens Rodrigues

Estudantes universitários que moram em Embu Guaçu, na Grande São Paulo, enfrentam até duas horas de trajeto para chegar a faculdades fora da cidade. Esse tempo pode ficar ainda maior por conta dos cortes que a prefeitura realizou no município.

Em 2008, a municipalidade sancionou  a lei 2119/2008, que autoriza o poder executivo a transportar universitários de forma gratuita. Ela foi decretada pelo então prefeito, Walter Antônio Marques (PTB).

O projeto atendia estudantes de 14 universidades da zona sul de São Paulo em 20 ônibus fretados, num total de 1.200 alunos que estudavam de manhã e à noite.

Alegando problemas financeiros, a atual gestão reduziu para 13 o número de ônibus. O corte, no entanto, afetou somente os alunos da manhã.

A estudante de nutrição Ariane Oliveira,  21, conta que teve uma surpresa ao tentar revalidar a carteirinha. “Eles convocaram os alunos veteranos para renovar. Fui até a secretaria pegar o selo de revalidação, mas a mulher disse que estudante da manhã só iria renovar na outra semana. Dois dias depois, a secretaria divulgou uma nota no site que não teríamos mais o fretado pela manhã”.

Com a suspensão, os alunos recorreram ao Passe Livre para utilizar o transporte público, o que aumentou o número de passageiros no horário de pico.

Laís Santos, 19, está no terceiro ano de farmácia bioquímica. Para chegar à faculdade, que fica na Chácara Santo Antônio, às 8h25, ela tem que sair de casa às 5h, além de ouvir reclamações dos passageiros.

“O que não dá para entender é que os alunos da noite continuam com o ônibus, e nós não. Eles deviam sentar e conversar, mas preferiram deixar a gente na mão”, reclama Laís.

NOVO PROJETO

O cancelamento também afetou alunos de cursinhos preparatórios e técnicos noturnos. Como solução, a prefeitura de Embu-Guaçu criou um projeto de lei que se compromete a arcar com 50% dos gastos, mas que a outra metade seja custeada pelo universitário.  

No último dia 10, foi discutido em uma audiência promovida pelos vereadores na Câmara Municipal o projeto de lei 002/2018. Participaram da sessão 143 munícipes entre pais e alunos. As propostas foram levadas ao gabinete da prefeita de Embu-Guaçu, Maria Lúcia (PSB).  

Se aprovada, a lei deve garantir a alunos de baixa renda a gratuidade no transporte universitário. Para aqueles que não se enquadrarem será cobrado um valor de R$ 120, por mês.

Na Câmara Municipal, vereadores apresentam e debatem a nova proposta sobre frete de ônibus para universitários (Rubens Rodrigues/ Agência Mural/ Folhapress)

OUTRO LADO

Questionada sobre a suspensão do transporte universitário para alunos da manhã, a secretária de educação Maria Madalena Lopes Cravo Roxo explicou que o critério foi a demanda de alunos.  

“Estudamos todos os prós e contras e chegamos à conclusão que seria menos traumático atender somente os alunos da noite, que eram número maior por conta da vulnerabilidade entre os alunos que ficam na rua”, afirma.

De acordo com o secretário de governo, Valdomiro dos Santos, o recurso para bancar o transporte de ônibus fretado vem do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), do qual 69% dos munícipes estão inadimplentes. Ele acredita que para que a prefeitura volte a atender todos, é preciso que a lei seja aprovada.

“O principal motivo [da suspensão] é financeiro. Nós não temos disponibilidade financeira, além do que, a gente precisa somar a dívida deixada pela administração anterior de Clodoaldo Leite (PMDB) em R$ 2 milhões e 100 mil. Nós não teríamos fôlego nem recurso financeiro para pagar os 20 ônibus que complementam toda a frota da manhã e da noite”.

Ainda de acordo com a secretária de educação, durante dois meses, foram cadastrados 806 alunos. Destes, 748 utilizam o transporte universitário e outros 58 estão na lista de espera.  

Rubens Rodrigues é correspondente de Embu-Guaçu
rubensrodrigues.mural@gmail.com

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