Manifestação em apoio a Lula atraiu ambulantes de várias cidades da Grande SP

Agência Mural

Kátia Flora

Durante os dois dias de vigília na frente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, havia um outro público além dos que estavam em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Diversos vendedores ambulantes ocuparam as principais vias de acesso do local, com barracas, carrinhos e caixas de isopor. Muitos vieram de municípios vizinhos como Diadema, Santo André e de outras cidades da Grande São Paulo.

É o caso do ajudante de cargas Anderson dos Santos Borges Silva, 30, morador de Guarulhos. Casado e pai de duas filhas, ele saiu às 7h de sexta-feira (6) junto com um amigo e levou uma hora e meia para chegar no sindicato. Por volta das 10h improvisou uma barraca próximo do estacionamento principal  para vender espeto de  churrasco de carne, frango e linguiça ao custo de R$ 5.

Como uma forma de complementar a renda, Silva vende nos fins de semana em jogos de futebol, shows e eventos. “Hoje nessa manifestação eu vendi bem graças a Deus”, comentou.

Vendedor de sorvete, Carlos é do Ceará e passa o verão na Grande SP (Kátia Flora/Agência Mural/ Folhapress)

O tom entre os comerciantes era de solidariedade, em meio ao pedido de prisão do ex-presidente. Lula deixou o Sindicato na noite de  sábado (7) e foi transferido para a sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), pela condenação em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, por corrupção e lavagem de dinheiro. A defesa alega que não há provas para a condenação.

Morador de Diadema, o vendedor Carlos Sérgio de Jesus, 48, foi com a esposa de moto nos três dias de manifestação. “Amanheci o dia por aqui [na sexta], vendi  gelinho natural com os sabores manga, coco, goiaba e maracujá, água, refrigerante e bebidas. Foram boas as vendas durante esses dias, mas esperava mais”, afirma.

“Lula não deveria se entregar. Como pode a pessoa ser acusada por uma coisa que não fez?”, ressaltou.

O clima de calor ajudou o sorveteiro Valmir Francisco Rodrigues da Costa, 52. Ele trabalha há 17 anos com vendas e se hospedou na casa da filha no bairro da Vila São Pedro, em São Bernardo.

“Vim do Ceará da cidade de Novo Oriente. Estou há três meses, aproveito o verão aqui, faço uma colheita e vou embora. Ano passado vendi mais de 18 mil palitos, por R$ 2 cada. Neste ano, estou passando desse número e após o dia 10 volto pra minha terra”, comenta.

FIM DO ATO

As milhares de pessoas que estiveram na missa em homenagem a ex-primeira dama Marisa Letícia, morta em 2017, aguardavam ansiosas o pronunciamento do ex-presidente Lula, que durou cerca de uma hora. Ele atendeu o pedido da PF e se entregou no final do dia.

Militantes colocaram colchões na calçada para descansar (Kátia Flora/Agência Mural/Folhapress)

Militante da MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) Renata Swiecik Pereira, 31, ficou deitada num colchão na calçada desde quarta-feira, quando foi rejeitado o pedido de habeas corpus do Lula no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Eu resido há sete meses num barraco feito de lona. É uma luta para conquistar uma moradia digna. Não esperava que ele fosse preso, mas vamos continuar resistindo até que prove a inocência”, diz.

Foram muitas caravanas da capital que mobilizaram as militâncias. A dona de casa Fátima Braz, 48, moradora da cidade Ademar, na zona sul, levou o filho de 23 anos, com síndrome de down. “Viemos 16 pessoas em uma van e demorou cerca de uma hora e meia. Espero que a Constituição seja cumprida e liberte o ex- presidente”, relata.

A vendedora Silvia Letícia Vieira do Carmo, 44,  montou a barraca de pipoca e batata frita um pouco distante da movimentação,  próximo do terminal Ferrazopolis, ponto estratégico para atrair as pessoas que estavam indo embora. “Eu cheguei pela manhã e durante esses dias as vendas foram boas, o pessoal do PT consome bem. Os valores [dos pacotes] são de R$ 5 e R$ 6”.

“Ele não deveria ter se entregado. Não merece foi um bom presidente. Tem tanta gente pra ser julgado, porque logo o Lula?”, questionou Sílvia.

Kátia Flora é correspondente de São Bernardo do Campo
katiaflora.mural@gmail.com

Comentários

  1. Fico só imaginando a falta de higiene nesses locais, com as pessoas fazendo suas necessidades a céu aberto, sem água para tomar banho, cozinhar com água contaminada, proliferação de moscas e mosquitos, lixo acumulado, e finalmente a disseminação de doenças infecto contagiosas. É isso que o partido quer para seus ‘apoiadores’?

    1. Ui Tersio, que nojinho desse tanto de proletário comendo comida de ambulante né, triste, imagina que Lula fez essa gente frequentar aeroporto e faculdade pública, por isso vcs se incomodaram tanto. Mas o povo brasileiro não tem nojo de pastel de feira como os políticos que você elege, o povo brasileiro tem nojo é da desigualdade, da soberba e do preconceito de vocês. #lulalivre
      PS. o partido não quer nada para os apoiadores nós estávamos lá por vontade própria.

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