De brigadeiro a camiseta, artista de Mauá empreende para lançar disco

Por Laiza Lopes

Rap, poesia, escrita e comida se cruzam na produção da artista Thaís Aguiar, 28. Nascida e criada em Mauá, a poetisa começou a organizar eventos na cidade em 2013, com o Projeto Mundo Arte, um sarau que contou com oito edições.

“Sempre gostei muito de ler e escrever. Cresci com a habilidade de contar histórias, de lidar com as palavras. Comecei cultivando diários, escrevia relatos, contos, sentimentos do dia a dia”, relembra a artista.

O envolvimento com o Rap começou também na infância, aos 10 anos. Na rua, ela e os amigos faziam beat box e rima. “Pra mim, aquilo foi como se abrisse uma porta para outros mundos”, conta Thaís Aguiar.

As portas realmente se abriram e, em 2014, a rapper gravou o primeiro EP, durante um mochilão pela Argentina. À época, a jovem utilizou a habilidade culinária para vender alfajores e brigadeiro e, com isso, sustentou a estadia no país vizinho.

“Quando voltei para Mauá, criei a marca AllaCoci, e passei a colocar um selo com versos de poetas locais. E foi um sucesso, as pessoas amavam comer um doce diferente e saboroso, e ainda encontrar palavras amigáveis nos selos. Os selos de versos trouxeram ânimo e inspiração para muitas pessoas”, conta.

Thaís explica que o nome AllaCoci vem do encontro de ‘allaventura’ (em latim, ‘ao acaso’) e ‘cociña’ (em espanhol, ‘cozinha’), e que o objetivo é ampliar as vozes de poetas da região por meio da união da comida e arte.

“Cada um de nós que se reconecta com o artista que vive em si, e permite-se criar o que sente é como um ponto de luz que se acende na escuridão. E nós ainda vivemos tempos de escuridão, então é muito importante que cada uma possa fazer sua luz brilhar”, conta.

Com a marca, a poetisa já criou canecas com imagens de grafiteiros de Mauá, e camisetas em parceria com uma estamparia local. Hoje, o financiamento do primeiro disco solo da artista, chamado “Carta Natal”, vem diretamente das vendas do empreendimento.

O álbum da mauaense fala sobre autoconhecimento e tem previsão de lançamento neste ano. “Não me considero uma cantora experiente ainda, mas já vivi o suficiente para perceber alguns pontos essenciais da vida de todo ser humano. Como nossa relação com as imagens, nosso ego, como vemos e vivemos relações, as feridas e conexões ancestrais”, afirma.

Para Thais, a música é resultado de diferentes conexões com as mais diversas pessoas que se encontram em locais semelhantes. Por isso, os movimentos de rua são os principais aliados na liberdade de expressão.

“Vi nascer muitos movimentos como o Sarau da Consciência e o Sarau do Tapete, que dão voz aos poetas e poetisas quando muitos deles nem mesmo sabiam que podiam escrever poesias, ou apenas falar em público. Isso é libertador”, completa.

Thaís Aguiar, 28, recitando no Slam Resistência (Marcelo Rocha/Agência Mural/FolhaPress)

Laiza Lopes é correspondente de Mauá
laizalopes.mural@gmail.com

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