JAe Alves, a artista que dá vida aos muros de Itaquaquecetuba

Lucas Landin

Quem anda atento às paredes de Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo, certamente já se deparou com desenhos de simpáticos bonecos verdes e azuis, espalhados pelos quatro cantos da cidade.

“Já percebi sim, está em várias paredes. Mas olha, não sei o que significa”, diz a estudante Lívia Santos, 14, moradora da cidade.

O significado dos desenhos, aliás, divide opiniões no município. Gabriel de Oliveira, 14, colega de Lívia, acredita que os bonequinhos representam extraterrestres. “São bem bonitos. Acho que são ETs”, brinca. Já a operadora de caixa Mariana de Sousa, 22, associa a outros personagens. “Acho que não é para ter significado. Mas o formato deles me lembra os Minions”.

Por trás das famosas figurinhas está JAe Alves, 26, uma artista que mora em Itaquá desde que nasceu. Ela começou com o grafite em junho de 2012, e agora seus desenhos extrapolaram as fronteiras do município.

“Sempre desenhei no papel e, no início, eu só queria ter meus desenhos na rua. Com o tempo fui percebendo o quanto é importante esse simples ato de dedicar um tempo, compartilhar um sentimento ali na parede com quem passa e repara. Em troca eu recebo sorrisos e várias fotos, mas também tem os insultos quando um desenho não é bem recebido”, conta a artista.

Os seus personagens Céu (verde) e Frambi (Azul) já invadiram as paredes de cidades vizinhas como Póa e Suzano. “É muito muro para pouca JAe”, brinca em um post numa rede social.

Os personagens de JAe, Céu e Frambi, que estão espalhados por Itaquá e cidades vizinhas (Divulgação)

Além do grafite, JAe pinta telas, camisetas e faz a customização de objetos reciclados. A artista também divide o seu tempo entre os desenhos e o trabalho em uma loja.

“Eu costumo brincar que tenho dois empregos, um remunerado de grana na loja dos meus avôs, e outro que não enche os bolsos, mas transborda o coração”, conta.

A renda arrecadada com a venda de seus produtos personalizados financiam o seu próprio trabalho nos muros.

“A tinta é cara! Quando percebi eu já estava totalmente envolvida com o graffiti, aquele ritual religioso de acordar domingo de manhã e sair pra rua com uma mochila de tinta nas costas. Então comecei a ver a pintura no geral como um meio de renda para conseguir manter meu estoque de material sempre vivo”.

Sobre o significado dos bonequinhos, JAe conta que são personagens que buscam trazer uma mensagem positiva. “Meus personagens são seres do meu mundo para o nosso mundo. Eles trazem cores, vida, mensagens de evolução e amor”, afirma.

Cores, aliás, foram tema da primeira exposição da artista em um museu. Em 2016, suas obras formaram a exposição “Toda Cor Tem Seu Valor”, e marcaram a reinauguração do Museu Municipal de Itaquá.

JAe conta ainda que suas maiores inspirações são os grafiteiros paulistanos Chivitz, que ela acompanhava o trabalho pela mídia, e Ignoto, morador do Jardim Romano, na zona leste de São Paulo.

“Inclusive, bem no início da minha caminhada na rua, conheci o Ignoto. Pura humildade, me deu vários toques, e sempre me incentiva e inspira até hoje”, lembra.

Lucas Landin é correspondente de Itaquaquecetuba
lucaslandin.mural@gmail.com

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