Pirapora do Bom Jesus elege novo prefeito em junho com confronto entre ex-aliados

Paulo Talarico

PMDB e PSDB são favoritos a levar a eleição deste ano. Mas não se trata da disputa pela presidência da República. Quatro meses antes de ir às urnas definir quem é o melhor nome para comandar o país, os moradores de Pirapora do Bom Jesus, na região oeste da Grande São Paulo, irão votar em junho para escolher o novo prefeito.

Com 20 mil habitantes e R$ 52 milhões de orçamento na prefeitura (equivalente a menos do que o destinado para a prefeitura regional da Sé, na capital), o município terá uma nova eleição, porque o vencedor de 2016, 0 ex-prefeito Raul Bueno (PTB), foi considerado inelegível pela Justiça Eleitoral. Ele teve contas rejeitadas em convênios na gestão de 2005 -2008.

O processo ficou parado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e só foi concluído no final do ano passado, com a marcação da eleição para o dia 3 de junho. Desde então, a cidade tem sido administrada interinamente por Dany Floresti (PSD), presidente da Câmara dos Vereadores.

Enquanto o impasse prossegue, a cidade viveu um sentimento de paralisia, na avaliação de moradores.

NOMES DA DISPUTA
Apesar do cenário, a disputa em junho tem como principais concorrentes os mesmos grupos políticos da última eleição. Derrotado em 2016, o ex-prefeito Gregório Maglio (PMDB) concorre contra Andrea Bueno (PSDB), esposa de Raul e ex-secretária.

“Eu quero dizer que enquanto Pirapora não tiver uma luz iluminando nosso município, as pessoas batendo no peito que moram aqui porque gostam e tem bom serviços, a gente não vai parar de trabalhar. O que quero falar é de proposta para a cidade”, disse Andrea, apadrinhada pelo marido, Raul, durante discurso que oficializou sua candidatura.

Desde a decisão da justiça, o ex-prefeito acusa Gregório de não aceitar a derrota na eleição e buscar se manter no poder pelo tapetão. Do outro lado, o peemedebista diz ser vítima de mentiras.

“Diziam que estavam aptos a disputar a eleição, em princípio a culpa era do Gregório, depois a justiça mostrou quem eram os verdadeiros condenados”, discursou o peemedebista em sua convenção. “A vontade deles era tirar o Gregório do jogo. Deram com os burros n’água.”

Raul governou a cidade por três gestões e Maglio foi seu secretário. Em 2012, porém, os dois foram adversários, com a vitória do peemedebista por uma diferença de 28 votos. Em 2016, os dois polarizaram novamente, mas com vitória de Bueno.

APOIOS
A eleição em Pirapora mobilizou lideranças da região, mas com um curioso cenário de apoios que fogem da orientação partidária.

O prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PSDB) e o ex-prefeito de Santana de Parnaíba, Marmo Cezar (PSDB) declararam apoio a Gregório, em detrimento da candidata do PSDB. Outros tucanos da sigla como o vice-prefeito de Parnaíba, Borrelli, declararam apoio a Andrea.

O PSB também se dividiu. Apesar de oficialmente apoiar Andrea, nomes como o deputado João Caramez (PSB) se aliaram a Gregório.

OUTROS NOMES
A campanha eleitoral teve início nesta semana e, além dos dois favoritos, está no páreo Alessandro Costa (PR), que foi candidato a vice de Raul e acabou não assumindo pelo problema do cabeça de chapa. Nesta eleição, Costa deixou o grupo e decidiu concorrer sozinho.

Neno (PDT), que obteve 4,8% dos votos em 2016, também volta a concorrer, assim como Ademilson Marceneiro (PSOL), que tem a promessa curiosa de um construir um grande Bom Jesus no topo da cidade para atrair turistas.

Paulo Talarico é correspondente de Osasco
paulotalarico.mural@gmail.com

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