Educadores montam curso gratuito de criação visual no Campo Limpo

Agência Mural

Caroline Pasternack

Após finalizar um curso de criação gráfica em 2015, Gustavo Domingues, 19, pensou que poderia ter tido este conhecimento mais cedo em sua trajetória. No entanto, formações como essas eram poucas ou fora de seu orçamento no Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, onde mora.

Essa situação levou o educador ao lado de Franciele Meireles, 25, estudante de design e sua antiga educadora, a se juntarem para criar uma escola que atendesse a região.

“Ser designer gráfico ou ilustrador na periferia é difícil porque não são profissões muito valorizadas e que não encontram representatividade na periferia, não é uma ferramenta acessível”, afirma Gustavo.

Batizada de Criart, a ideia é que a escola funcione como um coletivo de educação em comunicação visual voltada para jovens de 16 a 25 anos e que residam nas regiões do Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Ângela e Taboão da Serra, na Grande São Paulo. A primeira turma está sendo formada no final deste mês e as oficinas serão gratuitas.

“A criação da escola é uma decisão de ocupar todos os lugares possíveis. Existem jovens que querem seguir esse caminho das artes, mas acabam desistindo”, conta.

Além de Gustavo e Franciele, a educadora e gestora em comunicação Andressa Mota, e a educadora e designer Camila Ribeiro ajudarão nas oficinas. Para realizar as atividades, eles fizeram uma vaquinha. O grupo tem buscado outras fontes de recursos e se inscreveu no  VAI (Valorização de Iniciativas Culturais) da prefeitura de São Paulo e fará uma campanha de financiamento coletivo.

Alunos irão fazer trabalho sobre moradores do bairro (Divulgação)

A decisão de iniciar o projeto foi tomada em outubro do ano passado. Após algumas pesquisas, Franciele e Gustavo encontraram apenas uma instituição de ensino voltada à comunicação visual na periferia, já na Vila Sônia, na zona oeste, e com uma parcela alta.

“A ideia parte de um sonho nosso de esse conteúdo que temos girar. Por isso a ideia foi criar não só uma escola, mas um coletivo de comunicação e que nossos alunos continuem repassando o que aprenderam ao final do curso”, explica Franciele.

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Os interessados passarão por um processo que vai avaliar os objetivos e conhecimentos prévios de cada aluno. As oficinas terão duração de seis meses e irão abordar traços, colorismo e uso de materiais alternativos.

Os alunos irão criar histórias inspiradas em moradores do bairro. O trabalho virará um fanzine, digital ou impresso, e a ideia é desconstruir estereótipos sobre a periferia.

Ao final do curso, dois fanzines serão apresentados no ILove Laje, espaço colaborativo de trabalho, também no Campo Limpo, com a presença de artistas locais que irão mediar a leitura e debater o produto criado.

“Além do aprendizado técnico, os alunos serão provocados a falar desses espaços com narrativa territorial, conversar com pessoas da localidade, reconhecerem o lugar onde elas moram e se integrar de novo”, complementa Gustavo.

As oficinas serão no próprio ILove Laje ou no Centro de Mídia e Comunicação Popular M’Boi Mirim, localizado no Jardim Ângela. A escolha irá depender da localidade da maioria dos inscritos. A previsão de início da primeira turma é para o final deste mês de junho e a disponibilidade de vagas pode ser consultada no Facebook do Criart.

Caroline Pasternack é correspondente do Campo Limpo
carolpasternack@agenciamural.org.br

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