Mural

Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

 -

Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Em entrevista, Haddad fala de suas propostas para a periferia

Por Blog

Por Leandro Machado e Thiago Baltazar

O blog Mural, que em novembro completará dois anos hospedado na Folha, ouviu sete candidatos a prefeito de São Paulo sobre alguns temas relacionados às periferias da cidade. As perguntas são as mesmas para todos os candidatos.

Nesta quarta-feira, é a vez de Fernando Haddad (PT).

Mural – Grande parte dos equipamentos culturais públicos está na região central. Você tem algum projeto para levar mais equipamentos culturais para as periferias da cidade?

Fernando Haddad – Fui um dos formuladores, na gestão da Marta Suplicy, do CEU [Centro de Educação Unificada].  Uma das características do CEU é justamente acoplar uma unidade de ensino, equipamentos de esporte, cultura e lazer, oferecendo para distritos da cidade que nunca tiveram acesso a um equipamento de primeira categoria.  Esse projeto foi, em certa medida, interrompido. Vou retomar a construção dos CEUs  e vou, também, apresentar uma proposta de novos centros culturais. Parece que a cidade parou de construir centros culturais.

Com o crescimento do número de carros da cidade, o trânsito nos bairros da periferia piorou também. Em alguns casos, os dados sequer são medidos pela CET. Você tem alguma proposta para enfrentar esse problema?

Infelizmente, a CET está muito sucateada, não está fazendo nem o dever de casa no centro expandido, quanto mais nos bairros periféricos. A CET é uma companhia de excelência. Ela tem muita inteligência acumulada ao longo de décadas; engenheiros, gestores que são muito especializados em gestão em engenharia de trânsito.  Nós precisamos recuperar essa capacidade da CET, valorizá-la e levá-la para os bairros, porque os fluxos precisam ser medidos, a cidade precisa ser remapeada. Não estão fazendo as obras viárias na cidade há muitos anos. Então, algumas propostas antigas de duplicação de vias, duplicação de ruas não saíram do papel. Nós temos que retomar algumas obras importantes da cidade.

Qual sua proposta de política habitacional para os moradores em áreas de risco? E qual vai ser a primeira medida?

Você sabe que nós temos o pior momento de produção de moradias da história recente de São Paulo. A proposta é aderir imediatamente ao Minha Casa, Minha Vida. Nós lançamos a meta de construir 55 mil unidades habitacionais em quatro anos. Vai ser o maior programa habitacional da história de São Paulo. Além disso, vamos regularizar 200 mil habitações, regularização fundiária e urbanizar favelas para atender 70 mil famílias.

Há grandes distritos das periferias que não têm leitos hospitalares e o atendimento básico de saúde é precário. Como pretende mudar essa situação?

Vamos requalificar as UBSs, inclusive entregar mais 43, em alguns bairros da cidade que não têm atendimento básico. Vamos entregar mil novos leitos e os três hospitais prometidos que não foram sequer licitados. Esses hospitais devem gerar alguma coisa em torno de 600 e700 leitos e o complemento vai ser por ampliação de hospitais municipais existentes.

Na atual administração as subprefeituras perderam boa parte de suas antigas atividades. Ficaram basicamente com o serviço de zeladoria. Como funcionarão as subprefeituras se você for eleito?

Vou retomar o processo de descentralização administrativa da cidade que foi revertida pela atual administração, sobretudo com o esvaziamento das subprefeituras e a nomeação de subprefeitos sem perfil de gestão. Nós vamos descentralizar com os cuidados devidos. Quais são? Primeiro: controle social na ponta. Você precisa descentralizar o recurso, mas garantir que lá na ponta tenha o controle da sociedade sobre o gasto público. Outra proposta: criação da Controladoria Geral do Município nos moldes da Controladoria Geral da União para que haja alguém com status de secretário que possa investigar.

Como planeja reverter os benefícios da Copa do Mundo para os moradores locais?

Na verdade, temos que pensar para além da Copa, temos que pensar na descentralização econômica da cidade. A cidade está muito concentrada. Vamos apresentar um planejamento urbano que rompe com essa visão da cidade: todo mundo trabalhando nas mesmas cinco regiões e morando em 31 regiões.

O transporte público é uma das reclamações dos moradores da periferia. Ônibus que atrasam, que não passam, a superlotação. Quais suas propostas para melhorar essa situação?

Basicamente, o transporte público é: bilhete único mensal que é uma proposta nossa. O pessoal paga uma tarifa mensal e usa o quanto quiser. Para o estudante isso vai ser uma maravilha. Também faremos 150 quilômetros de corredores de ônibus.

Para ler as outras entrevistas, clique aqui.

 

Quer ser correspondente comunitário do Mural? Saiba como por aqui.

Leandro Machado, 23, é correspondente de Ferraz de Vanconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

Thiago Baltazar, 23, é correspondente do Butantã.
@thi_baltazar
thiagobaltazar.mural@gmail.com

Blogs da Folha