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Blog dos correspondentes comunitários da Grande SP

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Blog é escrito por correspondentes comunitários --em sua maioria estudantes ou já formados em jornalismo, mas, sobretudo, interessados em contar o que se passa na região em que moram, na periferia da Grande SP.

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Grupos da zona norte se unem para criar festival de hip-hop

Por Blog

Germínio dos Santos Andrade, 31, trabalha como pedreiro, mas, no cenário musical, ele é vocalista do grupo de hip-hop Bica 1702, do Jardim Felicidade, zona norte de São Paulo, e conhecido como “Mano G”.

Marcílio Souza Almeida, 34, é salva-vidas, porém, assim como Germínio, ele se dedica à música nas horas vagas sendo o rapper “Emmy”, idealizador do Cultura dos Tambores. Juntos, eles organizaram o 1º Festival Brafica de Hip-Hop, que será realizado na Fábrica de Cultura da Vila Nova Cachoerinha (zona norte), nos dias 8,15 e 16 de junho, das 19h às 21h.

“O objetivo é fortalecer a cultura da região, levando a convicção de que a cultura faz a pessoa renascer, quebrando as barreiras do preconceito e sendo uma ferramenta de resistência”, explica Emmy.

Grupos de hip-hop que queiram participar da atração podem se inscrever no e-mail festivalbrafica@gmail.com até15/5.

Os interessados devem enviar o material de trabalho e uma música em MP3. Serão selecionados 20 grupos para as eliminatórias que ocorrem nos dias 8,15 e 16/6. No primeiro dia, haverá reunião com os selecionados. No dia 15, uma eliminatória vai escolher os 10 melhores projetos. E, no dia 16, ocorrerá a fase final do festival, com premiações para o 1º e 2º colocado. No ato da inscrição, os grupos receberão o regulamento completo do concurso.

O grupo Cultura dos Tambores promove aulas de capoeira, oficinas de canto, percussão, danças e estudos sobre a cultura afro-brasileira. Eles também criaram o show “300 anos de Zumbi”, que conta a história do líder negro Zumbi dos Palmares. As atividades são realizadas no CEU Jaçanã, na zona norte, por meio do programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI).

O Bica 1702 entende que fazer música na periferia é como um hobby. Inclusive, o nome do grupo tem ligação com o bairro Jardim Felicidade, onde foi criado: Bica vem da antiga rua da Bica, atualmente rua Nossa Senhora Aparecida. E o número da linha de ônibus Jova Rural – Tietê, que é 1702. O desenho de um ônibus faz parte do logo do conjunto.

Uma das músicas de trabalho do grupo, “Quando cheguei por aqui”, trata, por exemplo, da situação dos migrantes nordestinos que vêm morar nas periferias de São Paulo. “No clipe, há uma mulher e um menino chegando ao Terminal Tietê, que representa eu e minha mãe chegando aqui, em  1986, quando deixamos o estado da Bahia”, explica Mano G.

Aline Kátia Melo, 29, é correspondente comunitária da Jova Rural.
@alinekatia
alinekatia.mural@gmail.com

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