Prefeitura adia eleição do Conselho Municipal de Habitação em São Paulo

Agência Mural

Sidney Pereira

Marcada para o domingo (27), nas sedes das 32 prefeituras regionais de São Paulo, a eleição para o Conselho Municipal de Habitação foi adiada, em função da decretação do estado de emergência na cidade e da greve nacional dos caminhoneiros.

Em nota, a secretaria de Habitação informa que a medida foi necessária para “não comprometer a efetividade e participação da população na eleição”. Não há previsão de nova data para a votação.

O Conselho Municipal de Habitação participa dos planos e programas habitacionais da cidade, com poderes de deliberação e fiscalização.

Dos seus 48 membros, 16 vêm de entidades populares, escolhidos por votação aberta a todos os eleitores da cidade. No total, 16 são indicados pelo Poder Público e 16 representam organizações da sociedade civil, ligadas à área habitacional. Não há remuneração prevista para os conselheiros.

Vista da zona norte. Conselho opina sobre políticas habitacionais

Quatro chapas de entidades estão na disputa. São elas: Chapa 110 – Moradia e Reforma Urbana, Chapa 120 – Democracia e Luta, Chapa 130 – Unidos pela Habitação e Chapa 140 – MOP Movimento Popular 100% Compromisso.

O representante da chapa 130, João Bosco da Costa, diz ter “ficado atônito, sem reação” com a notícia do adiamento. Segundo ele, que faz parte da Adocc-SP (Associação de Defesa e Orientação ao Consumidor Contribuinte de São Paulo), a chapa “tinha toda uma programação, sem contar o custo de colocar uma campanha na rua. É muito triste”, lamenta.

Já a assessoria do MOP, da chapa 140, diz “apoiar a posição da secretaria de Habitação”. Além da falta de combustível, a entidade alerta sobre “o risco que as pessoas poderiam correr andando em um domingo deserto”.

Marisete Aparecida de Souza, do Fórum dos Mutirões de São Paulo, da chapa 120, considera a suspensão “desnecessária”.”A maioria [da população] vota na prefeitura regional, próximo à residência, sem necessidade de usar transporte público”.

“Já havia uma mobilização total e distribuição de material e agora teremos que fazer uma nova força-tarefa”, diz a representante.

“Foi feito um trabalho enorme de conscientização para mostrar a importância da eleição. Vamos ter que desmobilizar em pouco espaço de tempo”, avalia, citando que o voto não é obrigatório.

Já Mariza Dutra Alves, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – Leste 1 e da chapa 110, que congrega 22 entidades, diz concordar com a decisão da prefeitura. “O caos na cidade seria prejudicial às nossas famílias que iriam votar”, argumenta.

Sidney Pereira é correspondente da Vila Maria

sidneypereira.mural@gmail.com

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