Porque o Sarau do Binho não pode acabar

izabela moi

 

Por Karol Coelho

 

Entre vielas, ladeiras, córregos e morros, é o bar, sob a imensidade do céu, que abriga o encontro artístico-cultural denominado “sarau” _uma festa literária ou musical muito comum no século 19, realizado em casas, teatros ou estabelecimentos noturnos.

 

O sarau nunca foi um evento exclusivo do subúrbio, mas não há como negar que, hoje, está sendo popularizado por ele.

 

O movimento cultural da periferia de São Paulo, principalmente na zona sul, está se mobilizando para impedir que o Sarau do Binho acabe. Um dos mais antigos da cidade, ele surgiu nos anos 90 e ocorre em um bar há oito anos, todas as segundas-feiras no bairro do Campo Limpo.

 

Na segunda-feira passada, 28/5, aconteceu o último sarau antes do fechamento do espaço. O bar está sem alvará de funcionamento e possui multas a pagar no valor total de R$ 8.000.

 

“O bar tem CNPJ e paga seus impostos, porém não conseguiu tirar o seu alvará de funcionamento e por isso vem recebendo multas, o que nos obriga a fechar o estabelecimento”, explica o informe oficial do Sarau do Binho divulgado aqui.

 

São Paulo se divide em 96 distritos e tem cerca de 19 milhões de habitantes, incluindo a população que reside na Grande São Paulo. Além disso, tem 68 pontos de cultura e mais 34 na região metropolitana, entre eles, o Ministério da Cultura (MinC) reconhece desde abril de 2010 o Morarte, feito em parceria entre o Sarau do Binho e o Movimento Pelo Direito a Moradia (MDM).

 

“Não há como não compartilhar a arte”, afirmou Robson Padial, o Binho, certa vez que o entrevistei para um trabalho da faculdade. “O bar é um dos espaços em que podemos fazer isso, mas há muitas possibilidades, e o legal é a galera fazer tudo junto”, completou.

 

Binho, proprietário do bar onde o sarau é realizado (Foto: Kenny Rodgers)

 

Músicos, atores, poetas, escritores, professores, alunos, pessoas de várias idades, credos e interesses, frequentam e visitam o bar para dividir e unir pensamentos, sonhos, reividicações sociais e culturais.

 

Tudo começou em meados de 2005, quando Guinão, Claudinho e Hunguera, conversando sobre música no bar, resolveram fazer uma apresentação. Com a aprovação do Binho, em menos de uma semana foi o primeiro show da futura Banda Preto Soul. “Até hoje o ponto de encontro da banda é o sarau e não há duvidas que o bar do Binho é a nossa casa”, afirma Fabio Véio, 27, trompetista do grupo

 

Segundo dados da Secretaria de Cultura de 2009, divulgados pelo Observatório Cidadão da Rede Nossa São Paulo, não há no Campo Limpo nenhuma sala de shows e espetáculos.

 

“Com esta dificuldade de ter um suporte melhor tanto para o publico quanto para as bandas da quebrada, o bar do Binho sempre foi o lugar para essas apresentações”, ressalta Fábio.

 

Serginho Poeta, cunhado do Binho, criou um manifesto intitulado “28 de Maio” em que qualquer pessoa que seja contra o fechamento do bar pode publicar um vídeo curto na rede, com as considerações que achar necessário. O depoimento dele pode ser visto aqui. Mano Brown, Marcelo Tas, Sergio Vaz e Marcelino Freire são alguns nomes que declararam também seu apoio por meio de textos ou comentários ou vídeos.

 

 

Bar do Binho

Endereço: Rua Dr. Avelino Lemos Jr., 60 – Campo Limpo, zona sul, São Paulo.

 

 

Karol Coelho, 20, é correspondente do Campo Limpo.
@karolcoelho_
karol.mural@gmail.com

Comentários

  1. Olá, gostei da matéria muito legal, é bom ver o apoio que o Sarau está tendo.

    Só um detalhe a foto publicada é minha e meu nome está errado, por favor se der pra corrigir, o certo seria Kenny Rogers.

    Obrigado

  2. O sarau do Binho é muito importante para desaparecer e deixar culturamente orfãs as pessoas que participam dos eventos semanais. Sugiro iniciar um crowdfunding para viabilizar o sarau financeiramente. Além disso fazer uma petição perante a prefeitura para que o sarau tenha status de instituição cultural, já que supre a falta de locais municipais ou outros que desempenhem mesmo papel cultural.

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