CEU na Brasilândia tem piscina fechada e moradores cobram nova via de acesso

Gabriel Sousa

Construído no topo de um morro do Jardim Paraná, o CEU Paz completou 14 anos em maio no distrito da Brasilandia, na zona norte de São Paulo.

Apesar de ser considerado um espaço de educação, cultura e lazer pelas famílias da região, o local enfrenta problemas de infraestrutura: as piscinas estão fechadas desde 2016 e uma via para facilitar o acesso ainda não foi construída.

“Meu filho vinha bastante tomar banho na piscina, mas faz tempo que já está assim fechada”, diz a auxiliar de limpeza Luana Cláudia dos Santos, 30.

De acordo com a secretaria municipal da Educação, as piscinas recebiam até 600 pessoas por dia e a reforma está em fase de licitação.

Sem a opção de banho, Luana e os filhos aproveitam as festas que ocorrem no CEU Paz. “Gosto da festa junina, Dia das Crianças, da primavera, acho todas bem legais”, conta.

As piscinas foram fechadas em 2016 para manutenção. (Gabriel Sousa / Agência Mural/Folhapress)

Ex-estudante do CEU Paz, o publicitário Carlos Vítor, 26, oferece no local aulas voluntárias de comunicação e criação de conteúdo. Ensina desde a criar um e-mail até a produzir e editar vídeos.

Carlos era presidente do Conselho Gestor do CEU Paz em agosto de 2017, quando participou de uma reunião com representantes da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário SA), da prefeitura regional da Freguesia do Ó/Brasilândia, da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) para solicitar a construção de uma nova via no local.

O argumento é que ela pode facilitar a chegada do público à escola, localizada em um local de difícil acesso. A via ligaria as ruas Dalva Barbosa Vilas Verdes e Catanduvas. Os moradores acreditam que a construção deve ser uma forma de compensação pela obra do trecho norte do Rodoanel.

“Foi um pedido dos moradores e também comentado nas reuniões de gestores, por uma compensação estrutural pela obra do Rodoanel. Até agora só fizeram na região ações sociais, como casamentos comunitários, alguns eventos para o ingresso de jovens no mercado de trabalho, palestras e oficinas”, conta Carlos.

“A via facilitaria, por exemplo, a vinda de eventos para o CEU. Já tivemos peças de teatro que não vieram para cá por não ter uma via acessível para o caminhão trazer algum tipo de estrutura”, completa.

A Dersa, empresa responsável pelo Rodoanel e a prefeitura regional da Freguesia do Ó/Brasilândia foram contatadas, mas não responderam à Agência Mural até a publicação desta matéria.

O edifício do EMEI e EMEF à esquerda, CEI à direita e o Centro Cultural na parte de trás. (Gabriel Sousa / Agência Mural/Folhapress)

Segundo a gestão do CEU Paz, a unidade iniciou 2018 com 2.124 alunos matriculados na creche, ensino infantil e ensino fundamental. Além do ensino regular, a população tem acesso a atividades esportivas, culturais e educacionais – como capoeira, futebol, balé e música.

“Eu estou aqui no Jardim Paraná desde 1994. Vi a construção do CEU”, lembra a dona de casa Cleide Vieira, 50, que diz ter acompanhando as transformações que a escola trouxe para a comunidade.

Hoje, ela pratica exercícios físicos e participa de aulas de artesanato. Já a neta, Yasmin, 11, estuda o sexto ano na escola e faz aulas de violão. “O ensino daqui é ótimo. A construção do CEU foi a melhor coisa que já aconteceu aqui, é bom para muitos moradores”, avalia Cleide.

O espaço também possui uma das salas do Circuito de Cinema Spcine, rede de salas públicas de cinema que oferece ingressos gratuitos . A média de público entre janeiro e junho deste ano foi de 2 mil espectadores ao mês. É o sexto maior público da rede, de acordo com a Spcine.

Já em relação a biblioteca, em média 235 livros são emprestados por mês. Em maio, foram realizadas em torno de 1.200 consultas ao acervo.

Gabriel Sousa é correspondente do jardim Elisa Maria
gabrielsouza. mural@gmail.com

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