Casa de hip hop busca regularização no Tremembé

Priscila Gomes

Após servir a um Telecentro, serviço de acesso a internet, durante mais de uma década, um prédio da rua Maria Amália Lopes de Azevedo se tornou um espaço perigoso para moradores do Jardim Tremembé, na zona norte de São Paulo.

Em 2013, o serviço foi encerrado, o local ficou abandonado e teve parte de uma parede destruída, até que grupos culturais decidiram tomar conta do imóvel.

“Fechamos o buraco na parede por segurança e preservação, pintamos, colocamos lâmpadas, cortamos a grama. Hoje é seguro e ainda leva serviços gratuitos para a vizinhança”, diz Marcilio Souza, 38, conhecido como Emmy, membro do Cultura dos Tambores, grupo artístico que trabalha com a valorização da cultura afro-brasileira.

Foi assim que teve início a Casa Cultural Hip Hop Jaçanã, imóvel ocupado por artistas, professores e moradores da região e que busca a regularização junto à prefeitura.

“Fizemos abaixo assinado com a comunidade pedindo a liberação para usar esse local, pois aqui estava abandonado desde 2010 e desde abril de 2015 cuidamos daqui”, ressalta Emmy. “Tudo que é preciso fazer, desde trocar uma lâmpada, reunimos dinheiro de todos para pagar”.

Fachada da Casa de Hip Hop no Tremembé (Priscila Gomes/Agência Mural/Folhapress)

O centro vai para o terceiro ano e tem sido local para aulas gratuitas de capoeira, boxe, danças, contação de histórias, grafite, rimas. Também há eventos como a entrega de leite. “Sempre gostei de artes marciais, e faço aulas de boxe há dois anos”, elogia a estudante Gabriele Oliveira, 15.

REGULARIZAÇÃO

Apesar da situação do espaço, os grupos ainda não tiveram uma resposta sobre a formalização do serviço realizado na ocupação. “Já pedimos para vários órgãos públicos, secretaria de Cultura, Serviços, Educação, Esportes para regularizar esse local, enviamos carta, mas até agora estamos aguardando. Mas nosso trabalho não pode parar”, diz Emmy.

Procurada pela Agência Mural, a prefeitura da capital informou que estuda qual destinação dará ao terreno citado.

Enquanto isso, os trabalhos têm tido sequência com coletivos como o Estética Urbana, que realiza o “O Rap Fortalece”, evento que conta com uma oficina sobre o tema. “Usamos várias ferramentas para envolver os jovens em artes: fotografia, instrumentos, rimas e grafites”, explica Davi Albuquerque, 34, professor de filosofia e membro do grupo.

“A vantagem daqui comparando com os outros espaços culturais é que sempre está aberto, somos receptivos e moradores do bairro”, diz Alexandre Santos, o Bully do Opresss, grupo de hip hop que atua na região há 12 anos.

Também há o Conto no Pé da Árvore, que atua com a proposta de manter viva tradições orais e as histórias que formam a cultura popular brasileira. “Eu tinha depressão, depois que descobri esse coletivo formado por mulheres, me senti acolhida. Melhorei muito. Aqui faz parte da minha vida”, diz Fabiana Galvão, 40, há dois anos do grupo.

Priscila Gomes é correspondente da Vila Zilda
priscilagomes.mural@gmail.com

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