“Visionários da Quebrada” traz histórias de empreendedores das periferias de SP

Lucas Veloso

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. A frase é do cineasta brasileiro Glauber Rocha, figura importante do cinema novo nos anos 1960, mas poderia ser da dupla Ana Carolina Marins, 30, e Maria Clara Magalhães, 25, realizadoras do Visionários da Quebrada, que estreia nesta quarta-feira (27).

O documentário traz a história de dez moradores das periferias com “histórias de sucesso” em diferentes áreas, como gastronomia, comunicação, educação, dança e moda. Um exemplo é Alex Santos, estilista e criador do PIM (Periferia Inventando Moda), iniciativa que forma profissionais para atuar no mercado.

A ideia do trabalho surgiu após uma reflexão sobre a ausência de bons exemplos retratados de quem mora nas periferias. “Não encontramos referências próximas”, relembra Ana Carolina. “Quem a gente lia de biografia, eram pessoas que não tinham a ver com a nossas vidas. Então, pensamos ‘as histórias de sucesso, quem são?’”

Motivadas pela questão, elas tiveram a ideia de falar dos desconhecidos que desenvolvem iniciativas nas margens da cidade de São Paulo. Elas abriram um formulário online, que chegou a acumular 150 indicações. Depois começou a rotina de ligações para entender a vida de cada pessoa e selecionar os personagens.

“Ficamos angustiadas porque íamos contar a história de cinco pessoas, depois fechamos com 15, e acabamos com 10”, diz Maria Clara, moradora do Grajaú, na zona sul. 

Elas foram contempladas com um edital no valor de R$ 10 mil da Fundação Arymax, e fizeram  40 horas de gravações, em todas as regiões da cidade. Também fizeram uma campanha de  financiamento coletivo, com a meta de R$ 35 mil. Ao final, 437 pessoas colaboraram e o valor foi ultrapassado.

“A gente sempre quis mostrar que a periferia tem soluções para propor. E queríamos que tudo fosse imperial, para garantir a qualidade. Por isso, a campanha garantiu a continuação do trabalho”, define Ana Carolina.

Entre os exemplos estão a MC Amanda Negra Sim, o ativista cultural Dimas Reis, a dançarina Gal Martins, o educador Fábio LOL, o gastrônomo Guilherme Petro, o educador Tony Marlon, o artista Rodrigo Costa, a iniciativa Favela da Paz, no jardim Nakamura, zona sul, e a educadora Rose Modesto, que atua na defesa dos direitos de crianças e adolescentes de São Mateus, na zona leste.

“Gostei da proposta de apresentarem pretos protagonistas. Tudo que está ali diz respeito a mulher que eu sou: sozinha, com duas filhas, que foi abandonada pelo marido, além do fato de ter uma filha homossexual numa sociedade homofóbica”, afirma.

O filme estreia nesta quarta-feira (27), no CEU Paraisópolis (Rua Dr. José Augusto de Souza e Silva, s/n – Jardim Parque Morumbi), às 19h. O circuito completo de exibição pode ser acompanhado na página oficial do filme

Lucas Veloso é correspondente de Guaianases
lucasveloso@agenciamural.org.br

 

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