Via onde ônibus bateu na zona norte de SP tem histórico de acidentes

Aline Kátia Melo

Em um dos primeiros textos que escrevi para a Mural, em 2012, relatei um acidente ocorrido em um trecho da rua Arley Gilberto de Araújo, no Jardim Felicidade, bairro da zona norte de São Paulo.

Na época cheguei a abrir uma solicitação de sinalização para a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) cuja resposta foi negativa, devido às características da via, e nenhuma outra solução foi oferecida.

A única coisa que mudou foi o surgimento de algumas faixas de pedestre pintadas. 

Seis anos depois, um novo acidente aconteceu no mesmo trecho por volta das 6h da manhã desta terça-feira (17), quando um ônibus da linha Jova Rural – Tietê bateu no muro do condomínio Altos do Jaçanã.

A diarista Marlene Souza, 33, estava no ônibus e perdeu o dia de trabalho. “Perdi R$ 150. Voltei para casa porque não consegui trabalhar e estou com o corpo todo doendo. Não fui ao médico, mas se não parar de doer vou ter que ir”, afirmou.

Outra passageira do ônibus foi a professora de educação infantil Patrícia Santos, 38. “Esses ônibus são velhos demais. Demorou para acontecer algo do tipo. O ônibus desceu rápido e perdeu o controle. Na descida ele foi direto no muro”, afirma.

Acidente foi em mesmo trecho onde houve ocorrência em 2012 (Aline Kátia Melo/Agência Mural/Folhapress)

“O motorista disse que não estava rápido. Ele não se machucou e ficou desesperado. Fiquei com as costas e o braço doendo, mas acabei vindo trabalhar porque sou professora e a sala tem muita criança”, explica. “Acho que ali não tem como colocar uma lombada, então motoristas precisam ter bom senso”, conclui.

A cobrança por sinalização tem sido um tema recorrente em outras matérias sobre a região. Houve até improviso de moradores após um acidente com vítima em uma das ruas do bairro. Tachões foram colocados em outro trecho dessa mesma rua.

A varredora de rua Natália Aragão, 42, cita também a retirada dos cobradores das linhas de ônibus do bairro, função que passou a ser também dos motoristas. “Conheci uma mulher que estava no outro acidente de 2012 e que tem sequelas até hoje”, diz.

Elaine Ferraz Krenek, 48, é recepcionista e mora da região há 12 anos. Ela costuma utilizar o transporte público para trabalhar. “Não adianta colocar sinalização se a manutenção dos ônibus não existe, como segurar o ônibus em uma ladeira sem freios?”, questiona.

Segundo a assessoria de imprensa da SPTrans “as causas do acidente serão apuradas pela perícia das autoridades policiais”

Aline Kátia Melo é correspondente da Jova Rural
alinekatia.mural@gmail.com

Comentários

  1. A questão do transporte publico de qualidade e a mobilidade em SP tá de mau a pior e a licitação do transporte esta emperrada um cidade do porte de São Paulo uma da maiores do mundo que não é pouca coisa não, não pode conviver com esta situação é inaceitável. Parabenizo a correspondente pela matéria.

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