Em Franco da Rocha, jovens fundam companhia artística e fazem sarau

Micaela Santos

Ainda no ensino médio, Luana Dorigon, 19, começou a frequentar as oficinas de teatro de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, para fugir da depressão. A distância de equipamentos culturais, contudo, não ajudava.

Para ir a um sarau, ela e os amigos Amanda Barboza, Danilo Pique, Elves Ferreira, Isabel Cristina, Juliana Dorigon e Mateus Torres Viana precisavam se deslocar até os municípios vizinhos ou ao centro de São Paulo.

A falta de peças teatrais no município e o gosto pela arte fez com que os jovens se juntassem para criar a Companhia 7 na Linha, coletivo cultural. Em maio de 2016, o grupo criou o Sarau Estação Poesia.

O objetivo era produzir um sarau artístico-cultural no centro da cidade cortada pela linha 7-Rubi da CPTM, principal meio de transporte do município que abriga mais de 140 mil habitantes. “Queríamos que nossos outros amigos e os jovens da nossa cidade também tivessem um sarau para chamar de seu”, explica Luana.

Atualmente com nove membros, a companhia organiza as edições que são realizadas toda primeira sexta-feira do mês, na Casa de Cultura Marielle Franco, espaço cedido pela secretaria de Cultura, Esporte e Lazer da cidade. A pasta participou da idealização do projeto e disponibiliza os equipamentos para ação.

O local foi nomeado em homenagem à vereadora assassinada no Rio de Janeiro neste ano. O próximo evento será no dia 3.

Luana Dorigon é estudante de jornalismo e começou a frequentar as aulas de teatro da cidade ainda no ensino médio. (Divulgação)

Os encontros aderem ao formato tradicional de saraus: uma pessoa da equipe fica responsável por fazer as inscrições e um microfone fica disponível para quem deseja ler, cantar, dançar ou até contar como foi o dia. Há também um varal de poesias para os que se sentem acanhados para encarar o microfone.

Formado em iluminação cênica, Elves Ferreira, 27, também é músico e compositor. Há quatro anos, ele deixou o emprego de analista de sistemas para se dedicar à carreira artística. Entre a rotina profissional, ele se divide junto aos outros integrantes em tarefas que vão desde reuniões e divulgação do evento nas redes sociais, até a montagem dos equipamentos de som e iluminação, que dão identidade ao sarau.

Com o intuito de atrair um maior número de pessoas, o coletivo pretende inscrever o projeto em editais de leis de incentivo à cultura, como o ProAc, para obter ajuda financeira e expandir o Sarau para outras regiões.

“Sabemos bem que nem todas as pessoas que queremos atingir podem ou possuem condições de se deslocar até o local onde realizamos o evento”, afirma Elves Ferreira.

Um microfone fica aberto para quem deseja cantar ou recitar poesia (Divulgação)

“Muita gente reclama, pede, mas não tem a atitude de criar ações como esta, feita por jovens que acreditam na arte da periferia e fazem acontecer”, diz Viviane Lunguinho, 21, moradora da cidade.

O sarau também tem atraído moradores dos outros municípios. O estudante Washington da Silva, 19, de Francisco Morato, levou a amiga Natália Cristina, 17, para participar da atividade promovida pelo coletivo. “O mais importante é a difusão artística e mostrar arte para outras pessoas, e aqui, qualquer um pode vir e mostrar a sua. Existem pessoas que podem fazer coisas únicas, e é por isso que eu resolvi conhecer”, completa Washington.

Casa de Cultura Marielle Franco. Rua Dona Amália Sestini, 85 – Companhia Fazenda Belem. Sex. (3), 19h30. Grátis. 

Micaela Santos é correspondente de Franco da Rocha
micaelasantos@agenciamural.org.br

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