Moradores descobrem calçamento esquecido em São Miguel Paulista

Eduardo Silva

Há três anos, moradores do Parque Cruzeiro do Sul, em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, se uniram para revitalizar a praça Guanambi. Com problemas de drenagem e acúmulo de grama ao longo dos anos, trechos do local foram totalmente cobertos, incluindo um calçamento de paralelepípedos que sumiu em meio ao mato e lama.

“A equipe da Prefeitura vem, corta o mato, mas não leva embora. Acabou entupindo os canos e dutos do sistema de drenagem da praça”, afirma Cristiano Corrêa, 35, membro do grupo “Amigos da Guanambi”. “A praça começou a ficar toda alagada. Represou a água e virou um grande brejo.”

Moradores começaram a cobrar que a prefeitura recuperasse o espaço. Porém, sem sucesso. A mobilização teve início após a moradora Luana Marques, 25, gravar um vídeo nas redes sociais reclamando da situação.

“Pensei em mandar um vídeo lá para ver se alguém se mobilizava para cobrar melhorias”, comenta. “Sempre prometiam limpar e revitalizar o espaço, mas nunca cumpriam. Então a iniciativa tinha que vir da gente”, completa Luana.

Quatro dutos da praça estão parcialmente ou totalmente entupidos (Eduardo Silva/Agência Mural/Folhapress)

A primeira cobrança foi em 2016, quando o prefeito regional de São Miguel Paulista, Edson Marques, assumiu o posto. “Mostramos as condições da praça e ele disse que não poderia cimentar o calçamento porque só tinha grama lá”, relata Cristiano. “A gente se reuniu para capinar e provar para a Prefeitura que lá tinha concreto”, complementa.

Ao longo de alguns domingos, moradores da vizinhança começaram a desencobrir trechos do caminho escondido. A cada semana apareciam mais pessoas para ajudar. A praça foi quase toda capinada, exceto um pedaço. “Essa parte nós não mexemos propositalmente para ver se a Prefeitura iria terminar o trabalho. Só que isso não aconteceu”, afirma a recepcionista Ana Paula, 35.

PROBLEMAS CONTINUAM

Com cerca de 10 mil m², o espaço não possui iluminação em todas as áreas, lixeiras, bancos ou opções de acessibilidade, como rampas e um corrimão na escadaria. De acordo com Ana, a grama deixada na praça se espalha e se acumula ao mato cortado nos serviços de zeladoria anteriores, por isso o piso fica ‘fofo’.

A dona de casa Suzana Farias, 52, caiu enquanto passava por lá ao voltar para casa. “Meu sobrinho também atolou o pé na lama uma vez. Precisava dar uma organizada aqui”, comenta.

Seu filho Pedro, 12, é autista e precisa realizar atividades terapêuticas ao ar livre com uma psicóloga. Como a Guanambi é inutilizável, Suzana precisa levá-lo até a praça mais próxima, a “Morumbizinho”, a 1,5 km de distância.

Suzana e seu filho moram no bairro Parque Cruzeiro do Sul há dois anos (Eduardo Silva/Agência Mural/Folhapress)

“É ruim porque você tem uma praça na porta de casa e tem ir longe, ainda mais com ele que é especial”, desabafa Suzana. A dona de casa também diz que o local poderia ter um espaço com brinquedos para crianças e equipamentos para a terceira idade. “Se uma pessoa mais velha for descer a escada que tem aqui, ela não consegue, pois não tem uma rampa ou corrimão”, afirma.

Após o início da revitalização, os moradores têm tentado conscientizar pedestres sobre a limpeza do espaço. “Se a prefeitura limpa, não dura uma semana. Porque é todo mundo sujando um pouquinho”, comenta. 

Também organizaram eventos para revitalizar a o local e um abaixo-assinado pedindo acessibilidade, bancos, lixeiras, iluminação e a drenagem. Para a pintura da praça e a cimentação na calçada do lado externo, houve apoio da prefeitura regional.

Caminho da praça Guanambi após ser limpo pelos moradores (Eduardo Silva/Agência Mural/Folhapress)

“Nossa intenção é trazer o movimento de volta. Estamos vendo que já teve bastante mudança, mas sabemos que ainda precisa de mais. Só que agora essas mudanças não dependem mais só dos moradores”, finaliza Ana Paula.

PROJETO MILIONÁRIO

Em resposta a Agência Mural, o prefeito regional Edson Marques, 61, informou que lixeiras são recorrentemente colocadas na praça, mas acabam danificadas pela população. “Além disso, tem o problema de acúmulo de lixo que vem de todos os lados”, comenta Marques. Ele diz que os serviços de zeladoria são feitos a cada quatro meses.

Quanto ao problema de drenagem, o prefeito diz há uma reforma projetada ao custo de R$ 1,2 milhão, porém a Prefeitura não tem esse dinheiro e que tem solicitou aos vereadores que seja acrescentado ao orçamento. “Acredito que, para o orçamento deste ano, a gente não consegue mais reformular. Mas vou continuar lutando para ver se consigo incluir este valor no orçamento de 2019”, finaliza.

Eduardo Silva é correspondente de São Miguel Paulista
eduardosilva@agenciamural.org.br

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