Mais de 13 mil cartões do Bilhete Único precisam ser substituídos por mês

Priscila Gomes

O defeito em cartões do Bilhete Único, entre outubro e novembro, deixou vários usuários nas filas de postos da SPtrans. A maioria das falhas, segundo passageiros entrevistados, era o não reconhecimento do cartão nas catracas ou não identificar o valor carregado. 

Em alguns casos, cartões com cerca de um ano deram problema. A troca leva três dias e deve ser feita pessoalmente em um ponto de atendimento da empresa.

A SPtrans alega que as principais causas que danificam o Bilhete Único são má conservação, dobrar, perfurar, torcer, exposição a altas temperaturas e eletricidade. No entanto, usuários dizem que falhas têm ocorrido mesmo com a preservação dos cartões.

“Guardo dentro de uma capinha, cuido direitinho, mas essa semana nenhuma catraca estava reconhecendo. Tive que carregar outro cartão para poder trabalhar”, diz a vendedora Jessica Monteiro, 32.

Moradora da região do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, ela tinha o cartão há quatro anos e entrou em contato com a central 156. Preocupada pois havia abastecido o cartão para o mês inteiro, Jessica foi até o posto do Terminal Bandeira.

“Lá não tinha fila para o atendimento, mas também estavam sem sistema”, comenta. “Voltei mais tarde e o problema persistia. No outro dia retornei e consegui atendimento e só assim troquei meu bilhete, mas tive que voltar lá para que meus créditos retornassem para o cartão, foi cansativo”, finaliza a vendedora.

Apesar dos relatos de problemas em bilhetes nos últimos meses, a Sptrans registrou um número menor de trocas em 2018. Segundo a empresa foram 130 mil pedidos de substituição até o final de outubro (média de 13 mil por mês). No ano passado, foram 249 mil entre janeiro e dezembro (média de 20 mil).

Ao todo, foram emitidos neste ano 1,6 milhão de novos cartões e no ano passado 2,1 milhões.

Posto do Terminal Bandeiras vazio, mas sem sistema no dia 5 de novembro (Priscila Gomes/Agência Mural/Folhapress)

Quem também enfrentou filas para resolver o problema foi a vendedora Aline Oliveira, 29. Ela foi ao Terminal Pinheiros, na zona oeste, onde o posto é aberto 24 horas.

Ao passar na catraca, o cartão não foi reconhecido. “Tenho esse bilhete há um ano – que é Vale Transporte (carregado pela empresa), e assim que deu o problema fui ao guichê dentro do metrô e disseram que tinha grandes chances de o chip estar queimado”.

No mesmo terminal estava a auxiliar administrativa Graziele Alves de Almeida, 29, que havia carregado o cartão há pouco tempo. “Há um ano e meio tenho esse bilhete e ao passar na catraca veio a informação que ele está sem crédito”, diz. 

“Onde carrego, a moça tinha dito que ele tem validade e uma hora ele ia deixar de funcionar e foi o que aconteceu. Agora vim aqui cadastrar um cartão no meu nome, para não ter problema”, conta Evandro Martins Oliveira, 48, funcionário público.

Segundo a SPtrans, o usuário não paga o valor pela emissão de 2ª via para o caso de um bilhete que tenha algum defeito. Por outro lado, em caso de troca do cartão por perda, roubo ou mau uso, o valor cobrado é equivalente a sete tarifas (atualmente R$ 28).

A empresa afirma, ainda, que o cartão também é bloqueado no caso de uso por terceiros ou compra de créditos em locais não autorizados.

Priscila Gomes é correspondente da Vila Zilda
priscilagomes@agenciamural.org.br

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