Alunos produzem reportagens sobre 10 escolas da Grande São Paulo

Ana Beatriz Felicio

Alunos ajudam nos cuidados de um cachorro em São Miguel Paulista. Também na zona leste, uma escola tem como tradição fazer um júri popular com os estudantes há mais de uma década. Do outro lado da cidade, no Jaraguá, uma classe desenvolve um biodigestor para resolver um problema: o desperdício de comida.

Estas foram algumas das histórias trazidas por estudantes da rede pública, por meio do projeto Acontece na Escola.

Com a pergunta: “O que acontece na escola que poderia ser notícia?”, a Agência Mural chamou alunos de dez escolas públicas da Grande São Paulo para produzirem uma reportagem sobre o ambiente escolar. 

Ao todo 80 alunos se inscreveram e trouxeram pautas de quem vive o ensino público diariamente. Os estudantes são do ensino médio e tiveram apoio de jornalistas da Agência.

“O que mais gostei foi da oportunidade de poder ter esse contato com o jornalismo, de escrever minha primeira matéria e de ter que reescrever sempre até ver que realmente ficou bom”, comenta a estudante Yaristza Aparecida de Almeida Santos.

Elton não enxerga e dava aulas no Grajaú; ele teve sua hsitória contada por um aluno que estudou com ele (Rômulo Cabrera/Agência Mural/Folhapress)

Estudante da 1ª série do ensino médio em Mairiporã, na Grande São Paulo, ela escreveu sobre as ações feitas pela escola para lidar com o desinteresse dos alunos.

Para Estela Targino de Nascimento Pedro, foi importante ter espaço para contar histórias sobre o bairro em que vive, São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo.

“Ainda tem muita história importante que precisa ser contada e que as pessoas que podem repassá-las se recusam a escutar. Há muito mais além dos estereótipos que colocam em nossos bairros”, afirmou.

Ela e a colega Anna Julia Lopes Doria, estão na 1ª série do ensino médio e escreveram sobre o acolhimento de um cachorro de rua pela escola onde estudam.

As reportagens foram exibidas na 4ª Feira de Ideias da Conectas, no domingo (16), evento realizado pela ONG que trabalha com projetos e iniciativas a favor dos Direitos Humanos. 

Um dos visitantes do evento foi o estudante Marcos Vinicius de Oliveira Azevedo, da 2ª série do ensino médio, que escreveu a história de um professor deficiente visual, que desenvolveu uma relação especial com os alunos no Grajaú, na zona sul de São Paulo.

OUTRAS MATÉRIAS

A aluna Julia Ferreira, aluno da Etec de Osasco, falou sobre o protesto silencioso que a equipe que dá aula no colégio fez contra a reforma do ensino médio.

A discussão sobre as aulas também foi o tema de Johnny Gabriel Silva Santos, aluno da Etec Itaquaquecetuba. Ele conversou com especialistas e alunos sobre a forma de aplicação e o papel da educação física nas escolas e o possível futuro da disciplina.

Questões de gênero e feminismo também foram abordadas. Andressa Carreiras, moradora do Campo Limpo, na zona sul, fez uma matéria sobre a dificuldade de alunos assumirem-se enquanto LGBT e o medo que sentem em relação ao futuro. “Cresci pensando que era um erro da sociedade”, afirmou uma estudante.

Alunas colaram bilhetes com mensagens de auto-estima para ajudar colegas na escola (Beatriz Oliveira/Divulgação)

Já Beatriz Oliveira, do 1º ano do ensino médio, contou como bilhetes com mensagens de auto-estima e sobre o feminismo mudaram a rotina das meninas na escola onde estuda, em Interlagos. As mensagens com frases como “não seja uma menina que reproduz o machismo”, foram colocadas no local onde antes havia um espelho.

Sanzia Regina, da 3ª série do ensino médio, falou sobre a escola Estadual Carlos de Moraes de Andrade, localizada no Grajaú, cuja participação de moradores do bairro ajudou a melhorar a estrutura do colégio, além de projetos esportivos.

Você pode conferir todas as matérias produzidas na página do Acontece na Escola. 

Ana Beatriz Felicio é correspondente de Carapicuíba
anabeatrizfelicio@agenciamural.org.br

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