Quatro anos após incêndio, escola em Parelheiros segue sem reforma

Luana Nunes

O prédio da escola estadual Renata Menezes dos Santos está fechado há quatro anos. Localizado na Barragem, bairro do distrito de Parelheiros, zona sul de São Paulo, o local continua sem cuidados após ter sofrido um incêndio em novembro de 2014.

Mato, pedras e lixo se acumulam ao redor do que restou da estrutura, enquanto a reforma não tem data para começar. Além disso, o local é aberto e é possível andar pelas ruínas do que um dia foram as salas de aula. 

As causas do incêndio ainda são desconhecidas. O prédio tinha a maior parte feita de lata e só restou o concreto.

Cerca de 500 alunos do primeiro ao quarto ano estudavam ali e foram remanejados para a escola Joaquim Álvares Cruz, localizada no mesmo bairro, a cerca de 2 km.

Maria da Glória Pereira, 38, era monitora de ônibus escolar na época e tinha a filha mais velha matriculada na unidade. De lá pra cá, ela conta que, ao lado de outros pais, procuraram a Secretaria da Educação para obter informações a respeito da reconstrução e prazos.

Parte interna do prédio; local sofreu incêndio em 2014 (Luana Nunes/Agência Mural/Folhapress)

A única coisa que lhes foi passado é que as obras começariam no primeiro bimestre de 2015. Mas nada foi feito. “É um total descaso com a gente. Precisamos da reconstrução da escola o mais rápido possível”. 

Mãe de Joyce, 15, e Rhian Gabriel, 9, ela demonstra preocupação em relação ao futuro da filha, porque teria de frequentar a nova escola no período noturno.

“Já deixei bem claro que não quero minha filha estudando à noite, pois acho que a escola [Joaquim Álvares Cruz] não tem estrutura para dar aula no período noturno, além do problema da falta de energia à noite, também tem o problema do vandalismo”, afirma.

A filha dela está no nono ano. “Onde a gente mora já é considerada área rural, ainda mais distante da escola e isso me preocupa”, diz. 

Atual diretor da escola Renata Menezes dos Santos tem trabalhado em uma sala na escola Joaquim Álvares Cruz (Luana Nunes/Agência Mural/Folhapress)

MUDANÇAS

Fundada na década de 1980, a Escola Estadual Professor Joaquim Álvares Cruz criou o período noturno para garantir aula para os estudantes da unidade e do colégio que sofreu o incêndio.

Professores e alunos tiveram que mudar de horário. Larissa Fernanda, 17, foi aluna da outra escola no antigo prédio, mas concluiu o ensino médio na Joaquim, no horário da noite.

“Às vezes precisamos voltar mais cedo por causa da falta de iluminação, ou não tem aula e não falam o motivo. Quando eu estudava na outra escola dava até para ir andando, e era de tarde. Agora preciso andar mais ou menos dez minutos depois que desço do ônibus escolar”.

Alunos foram transferidos para escola a 2 km; colégio teve de criar mais um período para receber estudantes (Luana Nunes/Agência Mural/Folhapress)

REFORMA EM 2019

A Agência Mural entrou em contato com a Secretaria da Educação no final do ano passado. A orientação foi buscar informações com a coordenação da unidade.

Atual diretor da escola Renata Menezes dos Santos, Edelcio Fernandes, conta que chegou a pouco tempo e ainda está se inteirando de assuntos relacionados ao ocorrido. “Temos cerca de 500 alunos matriculados e frequentes nas aulas, sem fila de espera ou reclamações de superlotação, pelo contrário, temos vagas para mais alunos”, diz.

Enquanto o prédio não é reformado, ele tem trabalhado em uma sala improvisada na escola Joaquim Álvares Cruz.

Segundo o diretor, está previsto um edital que definirá a empresa que fará a reforma da escola em 2019. Ele diz que esse é um dos únicos impasses para que as obras comecem e que o projeto de como ficará a escola está finalizado.

Luana Nunes é correspondente de Parelheiros
luananunes@agenciamural.org.br

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