Bairros de Itaquaquecetuba estão alagados há mais de dois meses

Lucas Landin

Desde o fim da janeiro, os bairros de Vila Sônia, Maria Augusta e Vila Japão, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, estão alagados.

Na época de verão, é comum que ocorram transbordamentos no rio Tietê, que margeia a região. Mas, desta vez, dois meses se passaram sem o escoamento da água.

“Não baixou em nenhum momento. Se a água baixa 10 cm, no outro dia aumenta 25 cm”, afirma o preparador de máquinas Paulo Cardoso, 28, que mora há mais de 20 anos na Vila Maria Augusta.

Cardoso comenta que nunca viu uma enchente durar tanto tempo. “A cada dia que passa, a gente fica mais apreensivo com essa situação. A gente não sabe se, quando voltar do trabalho, nossa casa vai estar inundada ou não”.

Na Vila Sônia, a situação é semelhante. A professora Íris Oliveira, 28, sempre morou no bairro, e não tem lembranças de um período tão prolongado de alagamento.

“A água não está escoando. Está num estado de total insalubridade, pois como a água está parada há muito tempo, está ficando esverdeada e cada vez mais nojenta”, lamenta.

Ruas da Vila Sônia, em Itaquaquecetuba, alagadas há mais de dois meses (Íris Oliveira/Acervo Pessoal)

Para evitar o contato com a água suja, os moradores improvisaram e colocaram algumas estruturas de madeira sobre a via. “Mas se é uma pessoa mais idosa, fora de cogitação passar sobre a estrutura, porque vai cair”, constata Íris.

Com as ruas inundadas, os moradores também tiveram que alterar a rotina. “Agora andamos com um par de meias extra, para trocar na estação de trem, se molhar. Alguns vão de bota, e na estação trocam pelo calçado de trabalho”, diz o auxiliar administrativo Ariel Oliveira, 22.

Em vias importantes da cidade como as avenidas Vital Brasil e Almiro Leal, a prefeitura está utilizando bombas d’água para evitar o interrompimento do tráfego de veículos. Ainda assim, a avenida Almiro Leal ficou interditada durante parte da semana passada, o que causou congestionamentos na área central do município.

“Para chegar do centro até o hospital Santa Marcelina, foi coisa de uma hora. Com a avenida [Almiro Leal] fechada, estava impossível de pegar corridas aqui na região de Itaquá”, conta Robson Junior, 29, motorista de um aplicativo de transportes.

Também há dificuldade para acessar os trens da linha 12-safira da CPTM. Com as interdições, os moradores trocaram a estação Itaquaquecetuba, no centro, pela estação Engenheiro Manoel Feio, que fica mais distante.

“Como não conseguimos mais chegar no centro de Itaquá, nem a pé e nem de carro, agora vamos até a estação de Manoel Feio”, diz Íris.

Situação persiste mesmo sem chuvas (Iris Oliveira/Acervo Pessoal)

PODER PÚBLICO

O prefeito Mamoru Nakashima (PSDB) utilizou o Facebook para cobrar providências do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e do Governo do Estado, responsáveis pela limpeza e pelo desassoreamento do Rio Tietê.

“É importante lembrar que essa limpeza do rio Tietê é de responsabilidade do DAEE”, alfinetou o prefeito. O tucano vive uma crise política na cidade e terá julgado um pedido de afastamento pelos vereadores nesta terça-feira (26).

Convidado pelo Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê), o secretário estadual de Meio Ambiente, Marcos Penido, visitou a região. Para o secretário, “a resposta é investir no desassoreamento”, mas afirmou que as intervenções nesse sentido serão realizadas apenas para o próximo verão.

Na última terça (19), a Câmara de Itaquaquecetuba enviou requerimento à prefeitura pedindo isenção do pagamento do IPTU para os contribuintes que vivem nas áreas alagadas. A decisão está sob a análise do Executivo.

Lucas Landin é correspondente de Itaquaquecetuba
lucaslandin@agenciamural.org.br

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