Mortes: MC Mineiro era conhecido nas batalhas de rimas em Itaquaquecetuba e nos trens da CPTM

Lucas Landin

Todos os dias, os trens da linha 12 da CPTM estão abarrotados de gente. São, em grande maioria, trabalhadores do comércio oriundos de Itaquaquecetuba, Poá ou do extremo leste da capital, acostumados a atravessar mais de 20 quilômetros para chegar ao trabalho. 

Essa era a plateia diária de Guilherme Rodrigues, o MC Mineiro, 23, que morreu no último domingo (15), ao cometer suicídio.

De vagão em vagão da CPTM, Mineiro ganhava a vida apresentando rimas e poesias desde 2017. O jovem, morador da Vila Monte Belo, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, transformou a arte em instrumento de trabalho.

Além dos trens, o MC também se apresentava com frequência nas batalhas de rap da Grande São Paulo. Inclusive, foi o vencedor da última que participou, a 53ª edição da Batalha Olhai por Nós, em Cidade Patriarca, zona leste da capital.

MC Mineiro participava de batalhas em Itaquá (Arquivo Pessoal)

Aos poucos, ganhou fama e respeito entre muitos jovens da região metropolitana. Apenas no Instagram, Mineiro tinha mais de 10 mil fãs. 

A morte precoce de Mineiro causou comoção em Itaquaquecetuba, onde vivem boa parte dos seus admiradores. “Só quero lembrar das vezes que o vi feliz, rimando pelos vagões”, desabafa uma fã. 

Amigo e colega de batalhas de rap de Mineiro, Gabriel Salvador, o Salvador da Rima, também expressou o luto pelas redes sociais. “Te amo meu mano, e sempre vou levar você comigo”, escreveu.

Também nas redes, fãs do MC se organizaram para criar um grito a ser entoado nas próximas batalhas: “Que da tristeza e do ódio a poesia nos livre. Mineiro, vive!”.

Mineiro sofria depressão, e encontrou nas rimas uma forma de externalizar parte do sofrimento que sentia. Muitos de seus textos abordavam temas relacionados à doença, como crises e questionamentos existenciais. “Somente depois que todos dormiram, eu consegui chorar e dizer que te amo”, dizia um de seus versos.

Em 2017, aos 21 anos, o MC começou a escrever o primeiro e único livro, Diário de um Suicida, no qual descreve o seu processo de depressão, e como ele influenciou na relação com a família e amigos.

O enterro do MC foi realizado na segunda-feira (16), na zona norte da capital.

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Serviços de saúde
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Lucas Landin é correspondente de Itaquaquecetuba